
O lendário Trem da Morte voltou a circular na Bolívia e rapidamente se tornou notícia em toda a América do Sul. O renascimento desse icônico trem desperta nostalgia, curiosidade e muita vontade de viajar. No entanto, embora a volta do trem represente a retomada de uma importante ligação turística no coração da América do Sul, o serviço volta de forma parcial, com apenas um trem semanal. Mesmo assim, o Trem da Morte promete voltar a ser um dos trajetos ferroviários mais procurados por mochileiros e entusiastas ferroviários. A seguir, você confere um guia completo com tudo o que precisa saber antes de embarcar.
O que é o Trem da Morte? A história por trás do nome
O nome Trem da Morte surgiu ainda no século XX. Ele se originou no trecho entre Puerto Quijarro (fronteira com o Brasil) e Santa Cruz de la Sierra, uma região que enfrentava enormes dificuldades sanitárias e estruturais. Na época, doenças tropicais como febre amarela e malária eram comuns. Por isso, muitos trabalhadores adoeciam e até perdiam a vida durante a construção da ferrovia. Apesar de ser vital para o desenvolvimento da Bolivia, o trem era extremamente lento, desconfortável e inseguro. Com toda a precariedade, o trem ganhou esse apelido dramático, que perdura até os dias de hoje.
Com o passar dos anos, o transporte foi se modernizando e as epidemias, controladas. Mesmo assim, o nome permaneceu, tornando-se uma marca histórica e turística. Contudo, hoje o Trem da Morte não representa perigo algum, muito pelo contrário: é uma das experiências ferroviárias mais autênticas da América do Sul.
Rota e distância percorrida pelo Trem da Morte
O trajeto clássico do Trem da Morte liga Puerto Quijarro, na fronteira Brasil–Bolívia (a apenas 11 km do centro de Corumbá, no Mato Grosso do Sul), a Santa Cruz de la Sierra, maior cidade e centro financeiro da Bolívia.
Ao longo do percurso, o trem viaja cerca de 635 km, cruzando planícies abertas, pequenas comunidades rurais e trechos de vegetação densa. Dessa forma, o viajante observa pela janela uma paisagem rica em natureza e cultura, além de ter uma visão autêntica da vida boliviana fora dos grandes centros urbanos.
O Trem da Morte para em várias estações ao longo do trajeto, sendo as mais importantes San José de Chiquitos, Roboré e El Carmen.

Horários atualizados do Trem da Morte
O retorno do Trem da Morte vai acontecer em etapas. No momento, apenas o serviço Ferrobús está voltando. Esse trem consiste em uma automotriz a diesel composto de dois carros com capacidade total para 42 passageiros, e terá apenas uma saída semanal de cada estação terminal. No entanto, dependendo da demanda, a ferrovia planeja aumentar as frequências. Seguem os horários atuais:
Sentido Puerto Quijarro ➝ Santa Cruz (partidas aos domingos)
- O trem parte às 16h, chegada em Santa Cruz às 6h do dia seguinte
Sentido Santa Cruz ➝ Puerto Quijarro (partidas às sextas-feiras)
- O trem parte às 18h, chegada em Puerto Quijarro às 9h do dia seguinte
Sempre consulte os horários ao planejar a sua viagem, de preferência no Instagram da Ferroviaria Oriental (operadora do Trem da Morte), pois o site oficial não é atualizado com frequência.

Conforto no Trem da Morte
O serviço Ferrobús, que é o mais confortável da frota, conta com:
- Ar-condicionado
- Assentos amplos
- Ambiente reservado
- Melhor conforto durante a noite
Preços atualizados das passagens do Trem da Morte
O preço do bilhete para o trajeto completo (só ida – Puerto Quijarro a Santa Cruz) é de 130 bolivianos, o que dá algo em torno de 100 reais.
Com isso, o Trem da Morte é uma das experiências ferroviárias mais acessíveis da América do Sul, e embora viajantes acabem comparando o custo-benefício com transporte rodoviário, o trem sai na vantagem pelo conforto e pela experiência cultural diferenciada.
Curiosidades sobre o Trem da Morte
1. O Trem da Morte já foi o principal meio de entrada de brasileiros na Bolívia
Durante décadas, mochileiros que iam ao Salar de Uyuni, à capital La Paz ou até mesmo rumo a Machu Pichu no Perú entravam na Bolívia via Corumbá, usando o trem.
2. É um dos poucos trens internacionais ativos da América do Sul
Embora ele que não atravesse formalmente a fronteira, o trem da morte conecta regiões de fluxo binacional intenso.
3. Cruzou décadas de instabilidade política
Mesmo com interrupções, permanece como um símbolo da resistência ferroviária boliviana.
4. É um ícone para mochileiros brasileiros
É comum encontrar viajantes do Brasil nos vagões, especialmente jovens em direção a Santa Cruz ou Sucre.
Conclusão
O Trem da Morte é uma experiência única, pois ele reúne história, cultura, aventura e um toque de nostalgia que conquista qualquer apaixonado por ferrovias. Com o retorno da operação, essa viagem volta a ser a melhor porta de entrada para a Bolívia. Então, se você ama trilhos, curiosidades ferroviárias e novas rotas, continue acompanhando o site Trens e Trilhos. Aqui, você encontra sempre conteúdos completos, atualizados e feitos especialmente para quem quer saber mais sobre o mundo dos trens.