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Bernina Express 2026: o guia definitivo para a viagem de trem mais bonita da Europa

Trem panorâmico Bernina Express serpenteando os campos nos Alpes Suiços
Bernina Express: um dos passeios de trem mais lindos do mundo. Acervo Trens e Trilhos

Imagine a cena: você começa o dia cercado por picos alpinos cobertos de neve eterna, geleiras que brilham sob o sol e um frio congelante de cortar a respiração. Quatro horas depois, você desembarca em uma praça ensolarada cercada por palmeiras, onde o aroma de pizza fresca e café expresso flutua no ar.

Mais do que um simples meio de transporte, cruzar os Alpes a bordo desses icônicos vagões vermelhos se tornou o maior objeto de desejo de quem visita a Europa. As imensas janelas panorâmicas curvam-se em direção ao teto, eliminando as barreiras entre você e as paisagens mais dramáticas da Suíça e do norte da Itália. É o ápice do slow travel: uma jornada onde o destino final é apenas um detalhe perto do espetáculo que acontece do outro lado do vidro.

Essa não é uma viagem no tempo; é o que acontece quando você embarca no Bernina Express.

A Ferrovia Rhätische Bahn

Essa travessia mítica de 144 quilômetros pela Ferrovia Rhätische Bahn só é possível graças a uma impressionante obra de engenharia clássica. O trem vence inclinações acentuadas nas montanhas sem o uso de engrenagens no chão, apoiando-se puramente na aderência de suas rodas aos trilhos. Construída em bitola estreita (1,00m), essa ferrovia foi projetada para vencer curvas incrivelmente fechadas nos paredões de rocha.

Toda a frota opera de forma sustentável com motores 100% elétricos alimentados por energia hidrelétrica local, dividindo os mesmos trilhos históricos com trens de carga que mantêm vivas as comunidades isoladas dos Alpes.

O trajeto é inteiro cinematográfico, mas chamam a atenção o viaduto Brusio na Itália, onde a linha faz um loop de 360 graus e passa por cima de si mesma, e o viaduto Landwasser, uma obra de 136 metros de comprimento e 65 metros de altura, em curva, que liga uma montanha diretamente a um túnel na montanha da frente.

O trem Bernina Express dá a volta sobre o viaduto Brusio, num dos cartões postais dessa viagem.
Trem Bernina Express sobre o viaduto Brusio, na Itália. Foto: acervo Trens e Trilhos

Seja começando a jornada pela Suíça ou subindo a partir do norte da Itália, o viajante deve se preparar para um fascinante choque cultural. A linha cruza a fronteira física unindo o universo do Franco Suíço (CHF), onde se fala alemão e romanche, ao ritmo do Euro (€) e da língua italiana. Como o controle de imigração atua eventualmente ao longo do trajeto, portar o passaporte físico na bagagem é obrigatório.

Se você quer fazer parte desse hype em 2026, o planejamento começa agora. Então venha entender como funciona a logística de ponta a ponta para organizar sua viagem perfeita.

De onde sai esse trem? Como chegar até lá?

Seja fazendo a viagem no sentido Suíça-Itália ou Itália-Suíça, as paisagens que você verá são dignas de cartão postal. As duas principais cidades que servem de extremidades para a linha são servidas pelas respectivas malhas ferroviárias de cada país com conexões diretas e fáceis:

  • Chur (Suíça): É a cidade mais antiga do país e a extremidade norte da rota. Se você estiver descendo da Suíça central, a Swiss Federal Railways (SBB) opera trens diretos saindo de Zurique para Chur a cada 30 minutos, em uma viagem confortável de pouco mais de 1 hora e 15 minutos.
  • Tirano (Itália): Uma charmosa comuna na região da Lombardia e a extremidade sul da linha. Se o seu ponto de partida ou destino final for o território italiano, a operadora Trenord oferece trens diretos ligando Milão (Milano Centrale) a Tirano de hora em hora, contornando o belíssimo Lago de Como em um trajeto de aproximadamente 2 horas e 30 minutos.
  • A Rota Curta (St. Moritz): Caso você já esteja hospedado nos Alpes Suíços, também é possível iniciar ou terminar o passeio na badalada vila alpina de St. Moritz, encurtando o tempo total de trilhos pela metade.
Bernina Express cruza o viaduto Landwasser num dos pontos mais altos da viagem entre Tirano, na Itália, e Chur, na Suíça
O viaduto Landwasser é um dos pontos altos da viagem. Foto: acervo Trens e Trilhos

Bernina Express vs. trem regional: qual escolher?

Muitos viajantes se confundem, porque existem dois tipos de trens que fazem essa rota, mas a experiência e o ‘bolso’ mudam completamente:

1. O oficial: Bernina Express (trem panorâmico)

Este é o trem famoso das redes sociais, com as imensas janelas curvas que vão até o teto, serviço de bordo e áudio-guia contando a história da linha.

  • Frequência: Por ser um trem exclusivo, tem poucas frequências por dia. Na alta temporada (verão), operam de 2 a 4 trens diretos por dia em cada sentido. No inverno profundo, essa frequência cai para apenas 1 trem direto por dia por sentido. As passagens esgotam muito rápido.

2. O alternativo: trem regional da Rhaetian Railway (Regio / R)

Este é o trem comum usado pelos moradores locais no dia a dia. Ele não tem as janelas curvas até o teto, mas as suas janelas quadradas tradicionais abrem de verdade, o que é perfeito para colocar a câmera para fora e tirar fotos espetaculares sem nenhum reflexo do vidro.

  • Frequência: Funciona como um relógio. Os trens regionais passam de hora em hora, todos os dias, totalizando mais de 10 a 12 opções de horários por sentido.
  • A Dinâmica das Conexões: Na maioria das vezes, o trem regional não faz o percurso direto entre Chur e Tirano. O passageiro precisará fazer uma ou duas trocas rápidas de plataforma ao longo do caminho (geralmente em Samedan ou Pontresina). Mas não há motivo para pânico: as conexões ferroviárias na Suíça são milimetricamente integradas e a mudança de vagão costuma durar menos de 5 minutos.

Quanto custa viajar em 2026?

Para os vagões panorâmicos do Bernina Express, a estrutura de preços oficial da Rhaetian Railway divide-se em duas partes obrigatórias: o bilhete base de transporte + a taxa de reserva de assento.

1. Preço dos bilhetes de viagem (por trecho)

TrechoSegunda ClassePrimeira Classe
Chur a Tirano (ou vice-versa)CHF 66,00CHF 113,00
St. Moritz a Tirano (ou vice-versa)CHF 33,00CHF 57,00

O interior do vagão de primeira classe no Bernina Express: conforto e visão ampla que valem a passagem
Primeira classe no Bernina Express: conforto e visão ampla que valem a passagem. Acervo Trens e Trilhos

2. Taxa de reserva de assento (obrigatória no trem panorâmico)

  • Temporada de Inverno (até 1 de maio e a partir de 26 de outubro de 2026): CHF 40,00 por pessoa.
  • Temporada de Verão (de 2 de maio a 25 de outubro de 2026): CHF 44,00 por pessoa.
  • Nota: No Trem Regional, essa taxa de reserva não existe. Você paga apenas o valor do bilhete base de transporte.

O uso de passes de trem

Se você possui o Swiss Travel Pass ou o Eurail Global Pass, o valor do bilhete base está 100% coberto. Você precisará pagar estritamente a taxa de reserva de assento (os CHF 40 ou CHF 44) para garantir o seu lugar no trem panorâmico.

Passo a passo: como e onde comprar as passagens

Evite intermediários e agências terceirizadas que cobram comissões extras. O único lugar seguro é o site oficial da própria ferrovia que opera a linha: rhb.ch.

  • A Dinâmica do Calendário: A reserva de assento (as poltronas do vagão panorâmico) abre exatamente 12 meses antes da data da viagem. Já o bilhete de transporte comum só pode ser emitido cerca de 2 meses antes. Portanto, garanta seu assento com antecedência e compre o bilhete base mais perto da data.
  • Se for usar Passes de Trem: No site da RhB, faça o processo normal de escolha de assento. Na tela final, onde o sistema pede os dados do passageiro, haverá um campo chamado “Reduções” (Reductions). Selecione o seu passe ali e o sistema deduzirá o valor do bilhete, cobrando apenas a taxa de reserva.
  • O Melhor Lado do Trem: Se estiver viajando no sentido Suíça a Itália, o lado direito do trem oferece os melhores ângulos para fotografar o famoso Viaduto Landwasser. Caso faça o sentido oposto, Itália a Suíça, escolha os assentos do lado esquerdo do vagão para ter a mesma perspectiva privilegiada.

Calendário Bernina: quando ir e quando evitar?

A viagem no trem panorâmico Bernina Express entre a Suíça e a Itália no inverno oferece paisagens de tirar o fôlego.
O panorâmico Bernina Express oferece paisagens de tirar o fôlego também no inverno. Foto: acervo Trens e Trilhos

As melhores épocas

  • Janeiro a Março (O Inverno Alpino): É a época ideal se o seu sonho é ver cenários dignos de filme. As montanhas e lagos superiores estão completamente congelados e cobertos por metros de neve. O contraste do trem vermelho rasgando o branco total é imbatível.
  • Junho a Setembro (O Verão Vibrante): Os lagos descongelam e ganham tons surreais de azul-turquesa. A vegetação fica exuberante e as cachoeiras descem com força total dos paredões de pedra.

Quando NÃO compensa viajar?

  • Novembro (A Paisagem Cinza): É o pior mês. A neve do inverno ainda não caiu para cobrir a terra, e o verde do verão já morreu. A paisagem ganha tons secos de marrom e cinza. Além disso, os dias são muito curtos, escurecendo cedo e roubando valiosas horas de luz na janela.
  • O Alerta de Obras em 2026: Devido a grandes manutenções na infraestrutura, os trens do Bernina Express sofrerão desvios e não passarão pelo famoso Viaduto Landwasser entre 29 de outubro e 13 de novembro de 2026. Evite essas duas semanas a todo custo se a foto clássica na ponte de pedra for sua prioridade.

Dicas práticas de sobrevivência a bordo

  • Alimentação: O Bernina Express não tem vagão-restaurante. Há apenas um carrinho que passa vendendo café e lanches rápidos. Passe em um supermercado local antes de embarcar e monte o seu próprio piquenique para comer na poltrona.
  • Bagagem: O trem possui espaços dedicados e gratuitos para malas grandes no início e fim de cada vagão. É extremamente seguro e prático para quem está mudando de hotel ou cruzando para o próximo país.
  • Roupas: Dê preferência para usar roupas de cores escuras: assim, você minimiza o reflexo das roupas na janela e consegue tirar fotos muito melhores.

Uma viagem imperdível para todo amante de trem

Quando o Bernina Express finalmente começa a desacelerar na plataforma de desembarque, a sensação que fica na cabine é de um leve e poético choque cultural. Em um intervalo de poucas horas, seus olhos se despediram da rigidez monumental do gelo eterno e das montanhas pontiagudas para abraçar a leveza histórica das vilas europeias, o calor que convida ao passeio e a mudança nos sotaques.

Essa linha cumpre o que promete: ela costura, através de trilhos estreitos, dois mundos completamente diferentes. Ao desembarcar, você perceberá que o grande trunfo dessa jornada não foi apenas cruzar uma fronteira geográfica, mas sim ter testemunhado, da janela de um vagão vermelho, o exato momento em que a paisagem da Europa troca de roupa.

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