Terminal Multimodal MRS entra em operação em São Paulo

Trator carregano minério de ferro do Mato Grosso do Sul no vagão da MRS no terminal São Bento, em Mogi das Cruzes, SP
Carregamento de minério no terminal multimodal da MRS. Fonte: Trens e Trilhos (imagem gerada por IA)

A MRS iniciou uma nova operação no Terminal Multimodal São Bento, em Mogi das Cruzes (SP). O complexo, localizado no distrito industrial do Taboão, fez seus primeiros carregamentos em abril de 2026 e é operado de forma 100% própria pela empresa.

A unidade conecta o transporte rodoviário à malha ferroviária da MRS. O minério extraído em Corumbá (MS) chega ao terminal de caminhão, é transbordado para os vagões e segue nos trens da MRS até o Rio de Janeiro.

A escolha do local foi estratégica: o terminal fica no Alto Tietê, um dos principais corredores logísticos do país, com acesso direto à BR-116 (Presidente Dutra) e à SP-070 (Ayrton Senna/Carvalho Pinto).

Essa localização facilita a chegada e saída dos caminhões que abastecem a operação, além de carregar os trens já depois de São Paulo, lembrando que a capital paulista é um grande gargalo para a operação de trens cargueiros da MRS.

Capacidade e rota do minério

Trator carregando minério de ferro em vagões da MRS no novo terminal São Bento em Mogi das Cruzes.
Carregamento de minério de ferro da MRS em Mogi das Cruzes – SP. Fonte: MRS

O terminal foi projetado para movimentar cerca de 30 mil toneladas de minério por mês, o que equivale a aproximadamente 300 vagões carregados mensais. Mas o potencial é muito maior, já que a extração do minério de ferro do Mato Grosso do Sul ronda as 12 milhões de toneladas anuais. Esse minério, de alto teor, é quase todo exportado via fluvial pelo Paraguai e Argentina.

A operação amplia a participação do Vale do Paraíba no atendimento a um dos principais clientes da MRS. “O Terminal Multimodal de São Bento amplia a participação do Vale do Paraíba no atendimento a um de nossos principais clientes e fortalece uma nova frente estratégica para a MRS, voltada à criação e gestão de terminais próprios”, afirma Leandro Nascimento, especialista ferroviário da companhia.

Infraestrutura: do pátio de manobras ao terminal operacional

O espaço já pertencia à MRS e funcionava como pátio de manobras. Para transformá-lo em terminal de carga, a empresa fez terraplanagem, estruturas de contenção e instalou balança rodoviária.

Além disso, investiu em segurança patrimonial, implantando guarita, portão de acesso, sistema de monitoramento, infraestrutura de tecnologia da informação e um local de apoio aos motoristas.

Vantagens da multimodalidade

Trem de minério da MRS: agora com o funcionamento pleno do terminal de São Bento em Mogi das Cruzes, os trens da MRS servirão a mais um projeto multimodal.
Trem de minério da MRS Logística. Fonte: MRS, com créditos na foto.

A operação do Terminal São Bento mostra como a integração entre rodovia e ferrovia podem se aliar para viabilizar operações logísticas complexas que envolvem longas distâncias, reduzindo custos e emissão de poluentes.

Mas o potencial vai muito além, pois a carga em que viajar de caminhão de Corumbá até o terminal na grande São Paulo porque a ferrovia que liga o Mato Grosso do Sul a São Paulo — a Malha Oeste — não está operacional.

Futuro com a Malha Oeste

Neste momento a Malha Oeste se encontra em processo de relicitação pelo Governo Federal: a ANTT já aprovou o plano de outorga e, dependendo dos trâmites no TCU, o leilão pode sair ainda no segundo semestre de 2026.

Serão 1.625 quilômetros de trilhos ligando Corumbá (MS) a Mairinque (SP), com investimentos projetados na casa de R$ 89 bilhões ao longo do contrato e conexão com a Malha da MRS, além de possível rebitolagem (conversão da atual bitola de 1,00m para a bitola larga, de 1,60m, a mesma da MRS.

Caso a licitação tenha sucesso e a Malha Oeste seja revitalizada, a conexão direta entre Corumbá e a malha da MRS elimina a necessidade do trecho rodoviário até Mogi das Cruzes. Assim, o minério poderia viajar de trem desde a origem em MS até o destino no Rio de Janeiro, sem transbordo intermediário.

Além da enorme redução de custos para o cliente, o fluxo 100% ferroviário significaria diminuição dos caminhões pesados nas nossas rodovias, menor poluição atmosférica, menor desgaste viário e menor índice de acidentes — e mais negócios nos trilhos.

Vale lembrar que a MRS é uma das concessionárias que já demonstrou interesse na Malha Oeste, tendo solicitado formalmente acesso aos documentos técnicos do processo de concessão da Malha Oeste junto à ANTT no início deste ano. Vamos acompanhar esse processo de perto aqui no Trens e Trilhos

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *