Com 100 vagões hopper HTT, a Transnordestina começa a montar sua frota operacional

Novos vagões HTT da Transnordestina: ferrovia mostra vocação para o agronegócio.
Novos vagões HTT da Transnordestina: ferrovia mostra vocação para o agronegócio. Acervo Trens e Trilhos

Por quase duas décadas, a Transnordestina foi sinônimo de obra parada. Mas hoje, com 100 vagões hopper HTT no pátio de Salgueiro (PE), a conversa começa a mudar. Ela não se trata mais de um canteiro de obras que nunca acaba — agora ela já é ferrovia de verdade.

E a escolha do vagão diz muito sobre o foco da nova ferrovia. A Transnordestina poderia ter começado com vagões-tanque, gôndolas ou plataformas para contêineres. Mas ela começou a montar sua frota pelos vagões hopper — o vagão do grão. Com isso, ela declara sua identidade: uma ferrovia do agronegócio, pelo menos neste primeiro momento.

Sobre o vagão HTT

Os novos vagões não são qualquer hopper, aliás. O modelo HTT 2.0 é fabricado pela GBMX (antiga Greenbrier Maxion). Feito de aço baixa liga de alta resistência, ele tem 101,7t de capacidade, 143m³ de volume e sistema de descarga rápida pneumática.

Premiado internacionalmente em 2024 por inovação em P&D, o HTT 2.0 tem 4% mais capacidade do que a versão anterior e novos materiais resistentes à corrosão. Um trem com 100 vagões desse tipo equivale a 357 caminhões graneleiros fora das estradas. O investimento nesse primeiro lote foi de R$ 100 milhões.

Mais 370 vagões estão em produção e devem ser entregues ao longo dos próximos meses e de 2027, acompanhando a expansão dos trilhos. A frota cresce na medida em que a ferrovia avança.

O que vem por aí

Os primeiros fluxos de carga já são conhecidos: grãos produzidos na região do Matopiba — sobretudo milho do cerrado piauiense — rumo ao interior do Ceará. É o primeiro trecho operacional de um corredor que, a partir de 2027, vai conectar a produção agrícola diretamente ao Porto do Pecém para exportação.

Além de grãos, vale lembrar que a Transnordestina tem vocação para vários outras cargas: gipsita, minérios, combustíveis e contêineres estão no horizonte, uma vez que a ferrovia alcance o porto cearense.

Mas por ora, os vagões graneleiros hopper HTT vão dominar os trens da nova ferrovia. E a Transnordestina, pouco a pouco, deixa de ser promessa para virar logística de verdade.

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